Educando para a liberdade...

Sandra Macedo Monesi
Professora e coordenadora da Girassol

Educar é uma atividade artesanal, principalmente nos tempos modernos, onde a tecnologia avança em todos os setores. Quanto mais tecnologia nova há disponível no nosso dia a dia, mais os educadores (pais e professores) precisam se esforçar para trazer às crianças e jovens a capacidade humana de ser livre.

Educar para a liberdade é oferecer, dentre outras coisas, condições ambientais onde a criança possa conquistar as suas aptidões, nos tempos e momentos certos, respeitando a maturidade completa, de cada aquisição.

O Ser humano, nos sete primeiros anos de vida, aprende imitando o mundo ao seu redor, e assim ele começa a andar, falar, se comunicar, comer, se relacionar, etc. Sendo assim, todo adulto é educador diante de uma criança pequena.

A criança não imita apenas o que fazemos e falamos, mas também, e principalmente, o que pensamos e sentimos.

Nos anos seguintes, a educação se expande da imitação até chegar no jovem que se propõe a observar, vivenciar, refletir e tentar trocar conclusões com seus educadores.

Portanto, o educador deve ser um modelo de liberdade. Ele deve, no seu dia-a-dia, ir apresentando à criança o quanto podemos, através do nosso corpo e pensar, ser auto suficientes no mundo, podendo então, cozinhar nosso alimento, lavar, passar e costurar nossas roupas, cuidar para nossa casa ficar em ordem, e se precisar, lixar e pintar móveis, ou ainda se distrair criando algo com as próprias mãos, e até se interessando pelo outro numa conversa gostosa, com os familiares, após o jantar (de preferência sem a televisão ligada).

Tudo isso pode parecer um apelo à vida primitiva, mas na verdade pode ser criar qualidade de vida com nossas próprias mãos.

Será que já pensamos antes quantos movimentos diferentes, cálculos matemáticos e perspectivas são realizados nas chamadas "tarefas do lar"?! Por exemplo, quanto de nossa força e determinação é necessária numa faxina, ou quanto de delicadeza, de matemática e atenção ao cozinhar (sem falar do quanto usamos do tato, paladar e olfato nesta tarefa), ou então quanto pode nos trazer de satisfação ver um móvel restaurado por nós mesmos.

A criança só pode sentir e desenvolver estas habilidades vendo o adulto fazer estas coisas (faxina, trabalhos manuais, ...), e o quão seria bom se pudesse trabalhar sempre junto a ele.

No processo educacional a criança incorpora como gratificante aquilo que o adulto realiza com satisfação, e esta vivência lhe acompanhará por toda a vida.

Portanto a educação esta presente na realização, no fazer junto, na humildade do aprender sempre, e de se observar em cada situação.

A pratica de educar começa na auto-educação, no refletir os hábitos e escolher com liberdade e consciência, o que em mim é digno de ser imitado, e o que posso, através da minha vontade e empenho modificar ou apreender como exemplo para o meu educando. Certamente ninguém é perfeito, mas acredito que todos podem ser melhores em si mesmos.

Rudolf Steiner, fundador da Pedagogia Waldorf, em uma de suas conferências diz que "...quando o ensino e a educação consistem em transmitir vida à outra vida, o resultado será vida, que se desenvolve e prospera".

Educar é artesanal porque, entre outras coisas, exige tempo, envolvimento, dedicação e humildade diante do "material", e com certeza o "produto" será único.

Este artigo foi publicado no jornal "Vida Vertical", edição Setembro/01-04, na qual a profa. Sandra foi uma das figuras de capa.